segunda-feira, 19 de abril de 2010

Desta vez

Estávamos ali sentados à horas, sem dizer uma única palavra, a noite já caíra e estava frios, mesmo que eu não o sentisse. o silêncio era quase ensurdecedor, na minha cabeça sentia um turbilhão de ideias e aquela sensação de ter mil e uma borboletas na barriga não passava, mesmo após tantas horas ali tão perto de ti. Mas este silêncio...Só queria que dissesses algo, ou que eu fosse capaz de fazê-lo, mas não queríamos. Não, não queríamos, porque sabíamos , eu e tu, que no momento em que disséssemos algo já nada voltaria ao que era.
E sim, eu também tinha medo, talvez até mais do que tu, mas nunca consegui ficar com nada por dizer e tu sabias disso muito bem. cada segundo pareceu uma eternidade e por muito que eu evitasse sentia os meus olhos inundarem-se de lágrimas e magoava tanto, tanto como da vez em que me disseste que nunca existiu um nós e que já não querias estar aqui. Não, não o irias fazer de novo, porque não era preciso, foi tão claro da vez em que o fizeste mas o que quer que dissesses ia doer na mesma, pois eu sabia que por muito doloroso que fosse, a nossa história precisava de um fim... Levantei-me e tornei-me a sentar, mas desta vez à tua frente, não dava para adiar mais e eu, eu tinha que saber porquê. Olhei-te nos olhos sem receio que notasses que chorava e perguntei, sem rodeios, nem conversas de circunstâncias, o tempo que teríamos para isso já se gastara.
- "Porquê? Porquê que de um dia para o outro saíste da minha vida, sem teres dado sequer uma oportunidade a este amor? Porquê que o mataste mesmo antes dele se materializar e ser algo real? Porque fugiste quando eu só queria que vivêssemos este amor? Aquele que negaste existir, mas que eu sei, ambos sabemos que ele era real. Diz-me!"
Ficaste incrédulo, parado, pálido. Sim, fiz demasiadas perguntas, mas no fundo todas questionam o mesmo e tu, tu só ficaste sem saber o que dizer.
Passados uns bons minutos em silêncio, finalmente respondeste:
-"Porque estar contigo ia mudar tudo, tudo o que tinha, todo o meu mundo... E eu, eu não gosto de mudanças."
Sorri enquanto as lágrimas rolavam descontroladas pela minha face. Olhei-te e disse:
-"Engraçado como passados tantos meses juntos, tu nunca percebeste nada, ainda não percebes. nunca quis mudar o teu mundo, só queria que tivesses tido coragem de mudar o meu..."
Levantei-me e parti, e desta vez para sempre.

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