quinta-feira, 29 de abril de 2010

Partida

Esperei por ti de todas as vezes em que foste embora, mesmo sabendo que sempre que partias te ias perder nos braços dela e fazer-lhe juras de amor, daquelas que nunca me fizeste... Mesmo que nunca to tenha dito, tu sabia-lo, até melhor que eu, sabias que eu estaria aqui, sempre que por ironia do destino tu quisesses voltar.
E voltaste, voltas sempre. Andamos nisto à anos, neste jogo de gato e rato, nunca dizes que me amas, mas sempre vens, quando o teu outro amor te deixa ou te troca, é sempre em mim que encontras o teu porto de abrigo. Porque tu sabes, sabes que eu estarei aqui, que sempre aguardo que voltes, que sempre desejo no mais íntimo do meu ser que de novo ela te parta o coração e tu te venhas consolar em meu abraço. E espero, espero não porque não me fira esta tua forma de me ter, mas o meu coração sempre me engana e me diz que desta vez vieste para ficar, mas nunca ficas. E hoje eu vi, eu sei, eu senti pelo teu jeito de me olhar que a tua partida não tardará, mas desta vez não esperarei, não porque te ame menos do que em qualquer outro dia mas porque não tenho mais condições de aguentar a angústia da tua ausência em mim. Por isso parte, regressa aquela paixão que tanto anseias mas parte sabendo que caso te percas no caminho e queiras voltar ao meu abrigo, nesse momento quem já partiu fui eu.

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