Podia dizer que já não te amo, faço-o inúmeras vezes. Muito mais para mim e por mim do que para os outros, acho que no fundo ainda anseio que se o fizer, se disser a mim mesma que já não te espero, que já não te quero, então isso será verdade. É certo que até agora não tem resultado, talvez porque espero que aconteça o que sempre acontece, tu nunca estás ausente... Vais embora por uns tempos, sem nunca dizer adeus e eu sei que nunca o dizes porque nunca partes de facto. Desapareces da minha vida, mas o vazio, esse nunca o sinto, pois mais tarde ou mais cedo há algo que te faz voltar. Regressas como partes, sem aviso, sem sequer uma palavra. E eu gosto, gosto que nunca digas adeus e que voltes. Quando voltas tudo muda, transformas os meus dias cinzentos em dias de sol, iluminas o meu olhar e fazes-me sorrir, tornas as minhas noites mais quentes e enches o meu coração de amor. E de cada vez que nos amamos e depois o sono teima em chegar confesso que receio acordar no dia seguinte e tu já teres partido, como sempre fazes. Mas agora, agora já não tenho medo, pois sei que mesmo que acorde e tu já não estejas, daqui a um tempo, muito ou pouco não sei, mas sei que voltarás, como sempre voltas, sem motivo, sem aviso, quando eu menos te espero, quando eu já menti a mim mesma vezes e vezes sem conta e finjo que afinal não quero que voltes. Mas a verdade é que ao anoitecer sempre penso: Será que voltas amanhã?
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